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Uma conquista possível

Um diálogo amigo entre homem e mulher, um diálogo em que diferença não signifique predomínio do masculino sobre o feminino, um diálogo que opere uma mudança civilizatória. Talvez então se possa falar de igualdade, porque a verdadeira igualdade é a aceitação da diferença sem hierarquias. E a certeza da diferença permanecerá no corpo, e nele o encontro mais fecundo.

Rosiska Darcy de Oliveira

A presença e ascensão da mulher no setor educacional e no mercado de trabalho é crescente. Cada vez mais participativas, desenvolvem múltiplas atividades e ocupam cargos nas mais diversificadas áreas, entretanto, sua participação ainda é marcada por desigualdades de gênero e  práticas discriminatórias, como por exemplo: ganhar sistematicamente menos do que os homens que ocupam postos ou realizam atividades similares.

Faz parte do cotidiano feminino, conciliar as atividades no mercado de trabalho com as tarefas do lar. Apesar de alguns avanços, as mulheres seguem sendo as principais, senão as únicas responsáveis pelas atividades relacionadas aos cuidados com a casa e a família.

No campo da sexualidade, em suas várias manifestações, os mecanismos reguladores da sexualidade atravessam toda a sociedade, reunindo o universo de relações afetivas e sociais, fortemente estabelecidos entre mulheres e homens, referentes aos valores, preconceitos e estereótipos machistas e feministas, repercurtindo na redefinição das relações familiares, nos papéis sociais, na estrutura de poder, costumes e hábitos de uma sociedade.

Dentro de um contexto social, mudar as atitudes e valores é difícil e demorado. Para isso, é importante chamar a atenção sobre as desigualdades, motivando as pessoas a se comprometerem na ampliação do debate e na reflexão sobre os mitos e crenças, ajudando assim na desconstrução desses papéis preconceituosos.

Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, que não surgiu para promover a feminilidade ou reverenciar a figura da mulher; por uma mera gentileza ou generosidade, o dia 8 de março, é um momento de reflexão, tanto pelos abusos contra as mulheres, mas também sobre as lutas, conquistas e mudanças sociais adquiridas. Marca mundialmente no calendário uma luta histórica intensa, que incluem questões como: vulnerabilidade de gênero, direito reprodutivo, família, igualdades profissionais, negociações conjugais, a proteção da violência dentro de uma parceria doméstica, a saúde sexual da mulher (prevenção e cuidado).

Os clichês que reforçam o senso comum entre os sexos permanecem ativos, evidenciando que a situação de desigualdade entre homens e mulheres no Brasil, evolui de maneira lenta, mas gradativa. Temos que ter em mente que a masculinidade e a feminilidade não são opostos, existindo simultaneamente em todo o indivíduo. 

Ajudar a transformar a sociedade, de forma a dar oportunidades iguais a ambos os sexos, envolve a revisão de nossos próprios conceitos e atuação  junto às crianças, adolescentes e jovens, para que evitem dar continuidade a modelos aprendidos e ultrapassados, que na grande maioria são assimilados sem que esta herança de valores e padrões sociais sejam questionados.

Para isso, é essencial que o espaço contra as limitações e opressões seja ampliado à ambos os sexos, resguardando a liberdade de escolha do indivíduo enquanto sujeito de sua própria história.

 

Coluna: Sexo Sem Censura

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Sheila Reis