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Desejo ainda muito vivo

Sexo é comum entre os idosos, entretanto é preciso fazê-lo com proteção

Exibido recentemente nos cinemas, o filme "Chega de Saudade" levou às telas não apenas situações vivenciadas nos bailes da terceira idade. A história dirigida por Laís Bondanzki foi mais além: mostrou que os veteranos de salão não são apenas pés-de-valsa, mas também têm uma vida afetiva e sexual bem incrementada na maturidade.

Em poucas palavras, o filme é uma prova de que os anos podem até diminuir a força, mas nunca bloquear o desejo sexual – opinião defendida por Sheila Reis, membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. De acordo com a psicóloga e sexóloga, estudos mostram que a maioria dos idosos (sem problemas de saúde) continua interessada em sexo e acham que a satisfação neste aspecto é um importante componente da qualidade de vida.

Para a sexóloga, o tema tem sido mais comentado devido à maior divulgação de novos tratamentos para disfunções sexuais, que fizeram com que muitos idosos voltassem a se relacionar sexualmente com pessoas de diferentes grupos etários. No entanto, o assunto ainda é um tabu, inclusive entre os próprios idosos. "Quando comentam sobre sexo, são vistos como senhores(as) assanhados(as), senão velhos senis ou tarados. Como se sexo fosse permitido somente para os jovens ou existisse idade para o exercício da sexualidade e um fim para os desejos sexuais", critica.

Esta estigmatização do tema entre idosos é um dos fatores que colabora para a falta de informação sobre formas de sexo seguro, como aponta o estudo "Doenças sexualmente transmissíveis e HIV/AIDS na opinião de idosos que participam de grupos de terceira idade", publicado em 2007 na Revista Brasileira de Geriatria e Geriontologia. A análise foi feita com base em levantamento de 52 idosos da cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul, que procurou medir o conhecimento dos entrevistados sobre os problemas de saúde mencionados. De acordo com o estudo, os pesquisadores ficaram surpresos ao constatarem que 71,15% dos participantes informaram não ter feito teste para detectar o HIV e 38,46% deles nunca fazem uso de preservativos nas relações sexuais.

De acordo com Sheila Reis, falar sobre preservativos ou proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis com idosos é difícil, senão constrangedor. "A grande maioria deles não foi criada para qualquer tipo de preocupação, já que a gravidez e as responsabilidades com o sexo sempre foram delegadas às mulheres”, diz.

Sheila considera importante reforçar a necessidade de respeitar o próprio corpo e fazer sexo protegido, usando sempre o preservativo. "A idade não é garantia para ninguém, não protege e não garante qualquer imunidade! Qualquer um que seja sexualmente ativo também está em risco", diz.

Para se saber como ter uma vida sexual prazerosa e segura, acesse o site do Programa Nacional de DST e Aids.

 

Site Unimed-Rio

Reportagem - http://www.unimedrio.com.br