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Sexo não é uma via de mão única!

O ser humano tem como sua aspiração maior a busca de prazeres. Na grande maioria dos encontros sexuais, as pessoas procuram afeto, aconchego, intimidade, relaxamento, orgasmo e, às vezes, a reprodução. No entanto, muitas pessoas iniciam suas vidas sexuais imaturas quanto ao exercício de sua própria sexualidade. Inseguras e temerosas quanto às responsabilidades envolvidas de uma vida sexual ativa, acabam por não conseguirem usufruir prazerosamente dela.

Quando se crê que a sexualidade está apenas vinculada ao aspecto do ato sexual, isto é, centrada nos genitais, isso a torna muito restritiva. A sexualidade não envolve somente os órgãos genitais mais todas as zonas erógenas do corpo, assim como desejos e fantasias associadas ao sexo.

A percepção do prazer varia de pessoa a pessoa, de acordo com sua história pessoal, familiar e psicossocial. As normas sociais, que mudam em cada cultura, norteiam a busca deste prazer, interferindo nos comportamentos, determinando o que é e quando é permitido ou proibido.

É muito importante entender que entre a busca e o encontro do prazer, existe uma distância. O encontro do prazer no exercício da sexualidade depende de uma série de fatores, que compõem a história das pessoas: sua relação consigo mesma, com os outros e com o mundo. Muitas coisas podem acontecer entre a intenção e a ação, entre o sonho e a realidade, o desejo e a possibilidade.

Sobre a relação sexual é preciso ainda muito diálogo, pois além das dúvidas, pairam culpas, medos, pressões e repressões. É muito importante aceitar que dúvidas são naturais.

Vamos pontuar alguns questionamentos mais comuns:

    . Quando posso começar a transar?

    . Sexo é sempre gostoso?

    . Para quem vou perguntar?

    . Porque tenho medo?

    . Todos sentem orgasmo?

    . Por que tenho vergonha de falar sobre isto?

As dúvidas acompanham todo o desenvolvimento do ser humano e aumentam e diminuem de acordo com as experiências, sejam elas opcionais ou impostas. As questões relacionadas à sexualidade, passam pelo crivo de poder ser expostas ou não, pois apresentá-las pode sugerir falta de conhecimento ou imaturidade.

Está aí a importância da discussão sobre sexualidade, da orientação sexual na escola, na família, nos meio de comunicação... É preciso estimular a reflexão sobre esses assuntos, especialmente os polêmicos.  Favorecendo as pessoas a aprendizagem do auto-cuidado e das decisões autônomas frente à sexualidade: a conquistar bem-estar sexual, relações de gênero com igualdade, respeito à diversidade sexual, a prevenção da gravidez não planejada e das doenças sexualmente transmissíveis (DST/Aids), entre outras. É preciso atitude para se lançar na aventura de poder sentir prazer e evitar riscos desnecessários. Para construir confiança, resgatar o prazer e desvendar os mistérios é necessário acionar todos os meios disponíveis de informação. Sexo não é uma via de mão única!

Coluna: Sexo Sem Censura

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Sheila Reis